A janela estava aberta, os balões bailavam com a corrente, o dia já nem era dia, o frio rachava-me os ossos.
Encontrei uns cigarros restantes no maço e uma garrafa por acabar.
Fui abandonado, mas isso nunca para mim foi motivo de alarme, pelo contrário, comigo sei eu tratar. Acontece que não devo ser o melhor bebedor, não devo ser o mais afável ébrio, não sou por certo o melhor amigo. Quem me terá convidado?
Por certo alguém amável e de bom coração, misericordioso, piedoso, que decidiu dar uma chance a este pobre vadio… Alguma puta fina.
A festa só começou agora… E que bem que estou a fumar e a beber sozinho num apartamento desconhecido, de corneta na boca e chapelinho na cabeça. Confetis!
Sempre me senti um bom abutre, sempre gostei de restos humanos em decomposição, sempre me alimentei do podre das pessoas, sempre remontei no meu próprio corpo os restos mortais dos espíritos dos outros, sempre me embalsamei com álcool, sempre menti e estripei com unhas e dentes e sempre congelei corações quentes.













